26 de fevereiro de 2026

Gatos na Literatura

 Em 17 de fevereiro foi o Dia Mundial do Gato. E para quem não sabe ainda, eu sou uma gateira, tutora de dois charmosos gatinhos. 

Na literatura, podemos destacar alguns gatos famosos como:

  1. Cheshire, do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll;
  2. O Gato de Botas, dos Contos de Fadas, de Charles Perrault;
  3. Plutão, do conto de Edgar Allan Poe;
  4. Bichento, da Saga Harry Potter, de J. K. Rolling;
  5. Dewey, do livro Um Gato entre Livros, de Vicki Myron e Bret Witter;
  6. Pitalgato, do O Gato e o Escuro, de Mia Couto;
  7. O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, de Jorge Amado;
  8. Gato Gatinho, do livro Um Gato Chamado Gatinho, de Ferreira Gullar.
Essa foi uma pequena lista, mas acredito que deva haver muito mais gatos por aí nos livros. Temos os gatos das fábulas, como as de Esopo e de Monteiro Lobato.

Os gatos eram seres sagrados no Antigo Egito. Os povos cultuavam o gato através da Deusa Bastet e atribuíam a ela o poder de unir o céu e a terra / Ísis e Osíris. Bastet representa a fertilidade, a dança, o amor e a música. Lindo isso, não é mesmo?

Ah, esqueci de mencionar também os gatos nos Quadrinhos e na Animação: Garfield, Frajola, Tom (Tom e Jerry), A Mulher Gata, Mingau (o gatinho da Magali) e o mais antigo de todos, criado em 1919, O Gato Félix.

Selecionei algumas frases de autores famosos para vocês se encantarem ainda mais com o enigmático e encantador: Gato.

"Mesmo o menor do felinos é uma obra-prima da natureza" Leonardo da Vinci

"Qual o presente maior do que o amor de um gato?" Charles Dickens

"Deus fez o gato para dar ao homem o prazer de acariciar o tigre." Victor Hugo

"Como diria meu gato, todas as horas são boas para dormir." José Saramago

"O gato, que nunca leu Kant, é talvez um animal metafísico." Machado de Assis



 

14 de janeiro de 2026

DATAS LITERÁRIAS

Algumas datas relacionadas aqui, não estão diretamente relacionadas à literatura, mas podemos aproveitá-las para pesquisar livros sobre esses assuntos. E eu garanto a vocês que há muitos livros ou personagens interessantes inspirados em algumas dessas datas. 



JANEIRO

04 de janeiro - Dia Nacional do Braille

07 de janeiro – Dia Nacional do Leitor

15 de janeiro - Dia Nacional do Compositor

18 de janeiro – Dia do Riso

30 de janeiro – Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos



FEVEREIRO

14 de fevereiro – Dia Internacional da Doação de Livros

17 de fevereiro – Dia Mundial do Gato



MARÇO

01 – Aniversário do Rio de Janeiro

12 de março – Dia do Bibliotecário

14 de março – Dia Nacional da Poesia / Dia do vendedor de livro / Dia do Livreiro

15 de março – Dia da EscolaDia da Declaração Universal dos Direitos à Leitura e à Informação

20 de março – Dia do Contador de História

21 de março – Dia Internacional da Poesia

27 de março - Dia do Circo

28 de março – Dia do Revisor de Texto



ABRIL

02 de abril – Dia Internacional do Livro Infantil / Dia de Hans Christian Andersen

07 de abril – Dia do Jornalista

18 de abril – Dia Nacional do Livro Infantil e Dia de Monteiro Lobato

19 de abril – Dia dos Povos Indígenas

23 de abril – Dia Internacional do Livro e Dia dos Direitos de Autor / Dia do Chorinho

28 de abril – Dia Mundial da Educação

29 de abril – Dia da Dança



MAIO


1 de maio – Dia da Literatura Brasileira

05 de maio – Dia Internacional da Língua Portuguesa

21 de maio – Dia do Profissional de Letras



JUNHO

10 de junho – Dia da Língua Portuguesa

21 de junho – Aniversário de Machado de Assis



JULHO

20 de julho – Dia do Amigo

25 de julho – Dia Nacional do Escritor

26 de julho – Dia dos Avós



AGOSTO

1º de agosto – Dia do Poeta da Literatura de Cordel

08 de agosto – Dia Internacional do Gato

22 de agosto – Dia do Folclore



SETEMBRO

02 de setembro – Dia Internacional do Livro Infantil

05 de setembro – Dia da Amazônia

08 de setembro – Dia Mundial da Alfabetização

19 de setembro – Dia Nacional do Teatro

21 de setembro – Dia da Árvore



OUTUBRO


04 de outubro – Dia dos Animais

12 de outubro – Dia Nacional da Leitura e Dia das Crianças

13 de outubro – Dia Mundial do Escritor

15 de outubro – Dia do Professor e dos Auxiliares de Administração Escolar

20 de outubro – Dia do Poeta

29 de outubro – Dia Nacional do Livro (aniversário da Biblioteca Nacional – RJ)

31 de outubro – Dia D – Homenagem à Carlos Drummond de Andrade

31 de outubro – Dia Nacional da Poesia

31 de outubro – Dia das Bruxas e Dia do Saci



NOVEMBRO

Dia 5 de novembro – Dia Nacional da Língua Portuguesa

Dia 7 de novembro - Dia do Radialista

Dia 14 de novembro – Dia da Alfabetização

Dia 19 de novembro – Dia Da Filosofia

Dia 20 de novembro – Dia da Consciência Negra

Dia 23 de novembro – Dia Internacional do Livro



DEZEMBRO

Dia 24 de dezembro - Dia Internacional da Educação

Dia 27 de dezembro - Dia Nacional do Livro Didático

Dia 30 de dezembro - Dia Internacional da Tradução






7 de janeiro de 2026

COISAS QUE UM LEITOR ODEIA!

Em 7 de janeiro comemora-se o Dia do Leitor, mas nem tudo "são flores" em nosso universo de leitores apaixonados, há também os "perrengues" e a lista a seguir vai definir bem o que um leitor também pode odiar em seu universo de leituras. Então fique atento e... não provoque! 😆

COISAS QUE UM LEITOR ODEIA:

  1. Emprestar um livro e ele não voltar!
  2. Quando alguém conta o final da história... spoiler, não!
  3. Quando seu personagem favorito morre.
  4. Quando a editora demora a lançar a continuação da série literária.
  5. Quando a pessoa ao seu lado não deixa você ver qual livro ela está lendo.
  6. Ser interrompido enquanto lê.
  7. Livro na promoção, mas o frete é mais caro do que o livro.
  8. Quando te dizem para parar de comprar livros, pois você já tem demais... 
E você leitor, acrescentaria mais algum item nessa lista? Deixe aqui nos comentários. 

E FELIZ DIA DO LEITOR!



 


1 de janeiro de 2026

Bem-vindo, 2026!

Leitores, chegamos em 2026 e não podia deixar de vir aqui para agradecer e retribuir o carinho de todos vocês. 

Este blog existe desde 2011 e foi o ponta pé de alguns projetos que nasceram a partir daqui. Aprendi entre acertos e erros, e foi a palavra que me guiou por entrelinhas, sentimentos, procura, pesquisa, afeto, autores e muita poesia. Nasceu com isso, a página da rede social, o programa na rádio web e o canal de vídeos. Tudo em etapas, por vezes misturados. Entre postagens, vídeos e lives, o Leituras & Literatura cresceu e amadureceu. O que virá pela frente, não tenho a mínima ideia, mas a vontade de novas experimentações ou novos caminhos me dão, ainda, "borboletas na barriga". E é isso que faz a gente se sentir "vivo" para continuar... por aqui também.

Bem-vindos, sempre. Desejo em 2026 que muitos leitores se inspirem e que muitos sejam "tocados" pela magia da literatura e pelo poder da leitura. "Se eu posso sonhar, posso ver acontecer." 




24 de setembro de 2025

O que é literatura?

A palavra literatura tem origem do latim "littera", que significa letra. O homem sempre manifestou-se artisticamente a partir da palavra, mesmo nas comunidades primitivas, em que não havia a escrita - nesse caso, por meio da poesia oral.

Para chegarmos a conclusão do que é literatura, precisamos pensar o que é arte. A arte é uma representação da realidade. A ficção recria, cria e constrói uma nova realidade. Cada tipo de arte faz uso de um recurso: a pintura (tintas, cores e formas), a música (sons), a dança (movimentos do corpo), arquitetura e escultura (formas e volumes), e a literatura? A literatura é a arte da palavra.

A literatura nos faz sonhar

Os textos literários nos transportam, nos provocam alegria ou tristeza, nos divertem, nos fazem emocionar... Através da leitura do texto podemos até "viver" outras vidas, sentir outras emoções e sensações. A literatura pode também nos oferecer um descanso dos problemas do cotidiano, enquanto estamos mergulhados nesse espaço de sonho e fantasia.

A literatura provoca nossa reflexão

Será que um texto tem o poder de transformar a realidade ou existe apenas para nos alivia das amarguras ou chateações da vida cotidiana? 

A literatura não muda a realidade, mas pode mudar vidas que se permitam reavaliar ou recriar a sua própria realidade e até influenciar na mudança de certos comportamentos. Se isso acontece, observe com um texto literário desempenha um papel de transformação - mesmo que indiretamente.

A literatura também diverte

Quem já não se pegou dando boas risadas sozinho lendo uma história engraçada, como uma crônica, por exemplo. Muitas vezes nos vemos naquelas situações descritas pelo autor e rimos até de nós mesmo. Quem nunca?

A literatura é uma grande aventura

O texto nos faz embarcar nas aventuras dos personagens e assim estimulamos a nossa imaginação. E através dessas "viagens" conhecemos lugares dos mais diversos cantos do planeta, imagináveis e inimagináveis. Quem não se imaginou dentro do trem indo para Hogwarts, de Harry Potter ou no País da Maravilhas, com Alice?

A literatura nos ajuda a construir nossa identidade

Sempre que lemos um texto literário, de uma certa forma, entramos em contato com as nossas histórias. Isso nos faz compreender o nosso tempo. E essa história coletiva é recriada por meio de histórias individuais, através dos personagens, através dos poemas, que nos tocam. Nós leitores interagimos com o texto, com o que lemos. Essas histórias lidas, nos fazem refletir e até responder nosso questionamentos acerca da vida e indagações comuns a todos nós.

A leitura é um pacto com o leitor?

Vamos pensar: para que o mundo literário exista, ganhe vida, nós precisamos habitá-lo. O autor nos faz o convite e nós aceitamos ou não. E quando aceitamos, entramos nesse mundo imaginário sem medo para trilhar o desconhecido. Por isso, todo texto acaba estabelecendo um pacto de credibilidade com seus leitores: é só aceitar que tudo fará sentido.

Quando o leitor aceita o jogo proposto pelo texto, ele reconhece como válidas as condições criadas pelo autor/narrador e inicia a sua "viagem" ao universo da literatura. 

Para fixar o entendimento do que é literatura ou não

Se um texto não "toca", não instiga, não provoca, não emociona, não diverte, não causa nenhuma sensação, nenhum sentimento (por pior que seja): não é arte, não é literatura, e sim, apenas um texto informativo, pois a literatura é a arte da palavra.





7 de setembro de 2025

"FECHAR COM CHAVE DE OURO": DITO POPULAR OU FRASE FEITA?

"Terminei o mês de agosto com chave de ouro!" -  Muita gente deve já ter ouvido ou lido esse termo em algum lugar "chave de ouro". Essa expressão é um dito popular ou uma frase feita

A origem da expressão "chave de ouro" tem duas versões (eu encontrei duas, mas pode ter outras). A primeira que encontrei na minha pesquisa diz que na Roma Antiga era comum presentar as pessoas importantes com um chave de ouro, que era símbolo de honra e prestígio.
A outra versão, tem uma origem literária: surge na Europa, entre os séculos XV e XVII, e se popularizou através dos sonetos. Os sonetos são poemas de 2 estrofes de quartetos (4 versos) e duas estrofes de tercetos (3 versos). A "chave de ouro" seria o verso final do soneto, que sentetiza a ideia principal do poema e fecha com um toque impactante, ou seja, grandioso. Assim, a expressão saiu da literatura e passou a ser usada como significado de um encerramento em grande estilo, um desfecho positivo em determinadas situações. 

Ditos populares ou frases feitas

Os ditos populares são frases curtas que transmitem um ensinamento ou conselho moral/social, e é passado de geração em geração, de autoria anônima.

As frase feitas são expressões idiomáticas, isto é, frasses com sentido figurado. As palavras adquirem um sentido diferente do significado real de cada palavra. Nem sempre conta com um ensinamento ou conselho moral.

Agora eu pergunto a vocês leitores: "chave de ouro" é dito popular ou frase feita?
Vocês conhecem outras expressões da cultura popular que fazem parte do seu cotidiano?
Comentem aqui!  




19 de maio de 2025

COMO LER MAIS

Quer ler mais e não sabe como, então siga as dicas aqui!

1. Comece devagar, siga o seu ritmo. Leia uns minutos, leia uma página, leia um capítulo, o importante é ler todos os dias. Do hábito, virá o prazer em ler.

2. Tenha sempre um livro com você. Ele é o seu melhor companheiro. Leve-o na mochila, na bolsa, na pasta, no bolso, para onde você for. Você encontrará um intervalo de tempo para ler um pouco.

3. Para impor um ritmo às suas leituras, opte pelo seu gênero favorito ou em livros com poucos páginas, como os livros de poesias, contos, crônicas e até mesmo as revistas em quadrinhos.

4. E na falta do livro físico a solução são os e-books ou audiolivros




PARA LER COM PRAZER, CRIE UMA ROTINA

1. Dedique-se. Leia sempre, de preferência, todos os dias.

2. Desacelere! Leitura não combina com ansiedade ou pressa.

3. Se a leitura não flui, troque - escolha outro livro.

4. Tenha um espaço de leitura, se possível. Um ambiente confortável e aconchegante favorece a leitura.

5. Ler o gênero favorito é sempre estimulante, mas que tal aventurar-se, de vez em quando, a ler coisas diferentes. Ouse!

6. E o mais importante: não se cobre! Todo início não é fácil. Persista e aos poucos aumentará o seu ritmo de leitura de uma maneira natural e prazerosa. 




24 de abril de 2025

OS DEZ LIVROS MAIS LIDOS

Em 23 de abril é celebrado o Dia Internacional do Livro, desde 1995, data escolhida pela UNESCO.

Pensando sobre isso, veio a curiosidade de saber quais os livros mais lidos no mundo e no Brasil. Selecionei uma lista dos 10 livros mais lidos, segundo pesquisa em sites. Confesso que me surpreendi com alguns deles nessa "seleta" listagem, mas sigo com o que pesquisei, porque gosto de leitor, não se discute!

10 LIVROS MAIS LIDOS NO MUNDO

  1. A Bíblia
  2. O Livro Vermelho de Mao (China)
  3. A Saga de Harry Potter, de J. K. Rowling
  4. A Trilogia do Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien
  5. Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes
  6. O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint- Exupéry
  7. O Alquimista, de Paulo Coelho
  8. O Código Da Vinci, de Dan Brown
  9. E o Vento Levou, de Margareth Mitchell
  10. Pense e Enriqueça, de Napoleon Hill

10 LIVROS MAIS LIDO NO BRASIL 

  1. A Bíblia
  2. O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry
  3. Diário de um Banana, de Jeff Kinney
  4. A Saga de Harry Potter, de J. K. Rowling
  5. A Cabana, de Willian P. Yong
  6. A Culpa é das Estrelas, de John Green
  7. Dom Casmurro, de Machado de Assis
  8. Cinquenta Tons de Cinza, de E. L. James
  9. Branca de Neve e os Sete Anões, dos Irmãos Grimm
  10. A Turma da Mônica, de Maurício de Sousa
O que acharam dessas listas, tirariam algum livro ou acrescentariam outros?
Que tal fazer a sua própria lista do Top 10 de seus livros favoritos?






16 de abril de 2025

DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL É DIA DE MONTEIRO LOBATO!

Dia 18 de abril é celebrado o Dia Nacional do Livro Infantil. E vocês sabem o porquê desta data? Neste dia, nascia Monteiro Lobato, que foi o primeiro escritor brasileiro a produzir literatura para as crianças.

***

Em 1882, em Taubaté, São Paulo, nascia José Renato Monteiro Lobato, que mais tarde, alteraria o nome, por decisão própria para José Bento Monteiro Lobato, assim ele poderia usar a bengala do pai, que estava gravada as iniciais J. B. M. L, de José Bento Marcondes Lobato.

Lobato adorava os livros do seu avô materno, o Visconde de Tremenbé  e foi um leitor assíduo, lia de tudo que havia para crianças em língua portuguesa.

Aos 18 anos, já órfão, ingressa na faculdade de Direito, por imposição do avô, pois o que ele gostava mesmo era da escola de Belas Artes.

Em 1904, diploma-se bacharel em Direito e em 1907, tornar-se promotor. Um ano após casa-se com Maria Pureza de Natividade com quem teve quatro filhos.

Monteiro Lobato viveu no interior, nas pequenas cidades e de lá escrevia para jornais e revistas.

Em 1911, após o falecimento de seu avô, herda a fazenda de Buquira e passa de promotor a fazendeiro, mas depois de um tempo , por conta de dificuldades financeiras, vende a fazenda e vai morar em São Paulo.

Ainda na fazenda, escreveu o livro Jeca Tatu, que se transformou em um sinônimo do caipira ingênuo brasileiro.

Quando compra a Revista do Brasil, Lobato começa a editar livros para adultos. O primeiro deles é Urupês, de sua autoria, lançado em 1918.

É importante ressaltar, que antes de Lobato, os livros no Brasil eram impressos em Portugal, mas um acontecimento mudaria a trajetória do escritor.

Quando o escritor voltou de uma viagem aos Estados Unidos, começou a pregar uma redenção do Brasil pela exploração do ferro e do petróleo. Por causa disso, foi muito criticado, perseguido e até preso. Ele dizia que havia petróleo em nosso país e que isso daria uma condição melhor para a população. E essa grande decepção com as críticas e injustiças o fez se decepcionar também com os adultos. Assim, a partir disso, dedicou-se à literatura infantil. 

Monteiro Lobato percebeu que não havia boas histórias para as crianças brasileiras porque nos geral, os livros eram traduções difíceis de ler e ambientadas em cenários muito diferentes do nosso. Foi a partir desse pensamento, que em 1920 publica o livro A Menina do Narizinho Arrebitado e lança o O Sítio do Picapau Amarelo e seus personagens inesquecíveis: Emília, Narizinho, Pedrinho, Dona Benta, Tia Anastácia, Visconde de Sabugosa e muitos outros.

Em 4 de julho de 1948, o autor morre, vítima de um colapso, em São Paulo.

***





15 de março de 2025

DIA NACIONAL DA POESIA

Em 14 de março, foi celebrado o Dia Nacional da Poesia. A data escolhida é uma homenagem ao nascimento do poeta Castro Alves.

Para homenagear a todos os poetas da literatura brasileira, selecionei um dos mais belos poemas de Carlos Drummond de Andrade, que é a própria teoria da poesia.

Do livro, A Rosa do Povo:


PROCURA DA POESIA

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro
são indiferentes.
Não me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

Carlos Drummond de Andrade






12 de janeiro de 2025

LIVROS COM O TEMA: FUTEBOL

Recebi, recentemente, no Canal, um pedido de um jogador de futebol profissional, o Dudu, do Cruzeiro: dica de livros com o tema futebol. Pedido feito, é pedido atendido!

Selecionei da literatura infantojuvenil, dicas bacanas de livros, para todas as idades.

1. Uma História de Futebol, de José Roberto Torero

Dois amigos, o Zuza e o Dico, que são fanáticos por futebol, provam que uma amizade pode mudar uma vida e como um menino do interior pode se tornar um grande jogador de futebol, mundialmente conhecido. Uma história surpreendente!



2. A menina que amava futebol, de Ilan Brenman

A menina Ana é apaixonada por futebol, mas seus amigos (meninos) não a deixam jogar no time de jeito nenhum. Um dia, ela acaba substituindo um jogador do time e... ah, só lendo o final dessa incrível história!


3. Bola no pé: a incrível história do futebol, de Ivan Zigg

Um texto leve, informativo e divertido que narra os momentos mais importantes do futebol e os diferentes termos, que nós leigos desconhecemos, além de mostrar a importância deste esporte.


4. Quando é dia de futebol, de Carlos Drummond de Andrade.

Em verso e prosa, relata 9 Copas, o auge do jogador Pelé e o efeito do futebol em uma nação.




5. A Turma da Mônica em O Campeonato, Criação de Mauricio de Sousa, da Ciranda Cultural.

As aventuras da turminha em mais uma história divertida, para todas as idades.



Mais dicas:

Além desses livros, recomendo a biografia, premiada com o Jabuti de 1996: Estrela Solitária, de Ruy Castro, baseada na vida de Garrincha.

A Coleção "Feras do Futebol", da Fundamento Editorial

Você, leitor, tem algum pedido de dicas de livros? Comente aqui ou envie um e-mail para sandracoimbra.leituras@gmail.com

Até as próximas dicas!

                                                          


FELIZ ANO NOVO!

Bem-vindo, 2025!

Neste ano, que se inicia, quero reforçar o meu amor pela leitura literária e o meu  compromisso com todos os leitores deste blog para ser um novo ano realmente renovado.

Ano passado, as atualizações foram poucas por aqui, mas quero me redimir neste 2025. Este espaço é o meu xodó (aqui tudo começou) e o Leituras & Literatura se expandiu para outros voos. Hoje, além do blog, há a página da rede social (Instagram) e a do Canal do YouTube.

Continuo por aqui e por onde a leitura e a literatura me levarem. E com a inspiração de "Esperança", dos versos do poeta Mario Quintana, seguimos em frente. 

Avante, leitores! 📕


Esperança 

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…

(Mario Quintana)




31 de julho de 2024

"Faz poesia como faz bom tempo"

"Lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo" - essas foram as palavras de Carlos Drummond de Andrade ao se referir à poesia da mineira Adélia Prado. O poeta foi fundamental no início da carreira literária de Adélia. Ele também a ajudou indicando o seu livro "Bagagem" a um editor que veio a publicá-lo.

Em junho, deste ano, a autora, aos 88 anos de idade, foi agraciada com dois prêmios: Machado de Assis, da ABL, Academia Brasileira de Letras e Camões, o mais importante da língua portuguesa. 

Com Licença Poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.

🌸

Momento

Enquanto eu fiquei alegre,
permaneceram um bule azul com um descascado no bico,
uma garrafa de pimenta pelo meio,
um latido e um céu limpidíssimo
com recém-feitas estrelas.
Resistiram nos seu lugares, em seus ofícios,
constituindo o mundo pra mim, anteparo
para o que foi um acometimento:
súbito é bom ter um corpo pra rir
e sacudir a cabeça. A vida é mais tempo
alegre do que triste. Melhor é ser.

🌸

Janela

Janela, palavra linda.
Janela é o bater das asas da borboleta amarela.
Abre pra fora as duas folhas de madeira à-toa pintada,
janela jeca, de azul.
Eu pulo você pra dentro e pra fora, monto a cavalo em você,
meu pé esbarra no chão. Janela sobre o mundo aberta, por onde vi
o casamento da Anita esperando neném, a mãe
do Pedro Cisterna urinando na chuva, por onde vi
meu bem chegar de bicicleta e dizer a meu pai:
minhas intenções com sua filha são as melhores possíveis.
Ô janela com tramela, brincadeira de ladrão,
claraboia na minha alma,
olho no meu coração.




15 de maio de 2024

Coisas que um leitor faz

 Eu confesso que já fiz tudo isso, e você leitor, quais dessas coisas você faz? 

  1. Lê um livro em um dia
  2. Cheira o livro antes de ler
  3. Compra uma edição de luxo
  4. Se apaixona por um personagem
  5. Chora lendo
  6. Fica lendo em vez de dormir
  7. Abandona um livro
  8. Pega livro em biblioteca
  9. Compra livro em sebo
  10. Pede livro de presente
  11. Dá livro de presente
  12. Pega livros emprestados
  13. Empresta livros
  14. Ganha livro com dedicatória
  15. Espia a última página do livro
  16. Compra um livro pela capa
  17. Não curti um livro que todo mundo gosta
  18. Lê um livro para poder ver a adaptação
  19. Vê a adaptação antes de ler o livro
  20. Odeia um personagem
  21. Teve vergonha alheia enquanto lia
  22. Quis ser amigo de um personagem
  23. Leu escondido para ninguém te interromper
  24. Leu um livro no transporte público
  25. Leu um livro para uma criança 
  26. Levou um livro na bolsa 
  27. Leu andando
  28. Leu ouvindo música
  29. Fez anotações no livro
  30. Teve ressaca literária
  31. Julgou um livro pela capa
  32. Tirou foto de livro em livraria para comprar online depois


Palestra de Bill Gates: os 11 itens

De vez em quando, dou uma olhada em meus arquivos do computador e como eu gosto de salvar alguns textos, deparei-me com este. Infelizmente, esqueci de mencionar a fonte ao salvar no arquivo, mas essas onze lições de Bill Gates são grandes ensinamentos de vida para os jovens

Apreciem e repassem:


"Bill Gates foi convidado por uma escola secundária para uma palestra. Chegou de helicóptero, tirou o papel do bolso onde havia escrito onze itens. Leu tudo em menos de 5 minutos, foi aplaudido por mais de 10 minutos sem parar, agradeceu e foi embora em seu helicóptero. O que estava escrito é muito interessante, leiam:



1. A vida não é fácil — acostume-se com isso.

2. O mundo não está preocupado com a sua autoestima. O mundo espera que você faça alguma coisa útil por ele ANTES de sentir-se bem com você mesmo.

3. Você não ganhará $20.000 por mês assim que sair da escola. Você não será vice-presidente de uma empresa com carro e telefone à disposição antes que você tenha conseguido comprar seu próprio carro e telefone.

4. Se você acha seu professor rude, espere até ter um chefe. Ele não terá pena de você.
5. Vender jornal velho ou trabalhar durante as férias não está abaixo da sua posição social. Seus avós têm uma palavra diferente para isso: eles chamam de oportunidade.

6. Se você fracassar, não é culpa de seus pais. Então não lamente seus erros, aprenda com eles.

7. Antes de você nascer, seus pais não eram tão críticos como agora. Eles só ficaram assim por pagar as suas contas, lavar suas roupas e ouvir você dizer que eles são “ridículos”. Então antes de salvar o planeta para a próxima geração querendo consertar os erros da geração dos seus pais, tente limpar seu próprio quarto.

8. Sua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas você não repete mais de ano e tem quantas chances precisar até acertar. Isto não se parece com absolutamente NADA na vida real. Se pisar na bola, está despedido… RUA!!! Faça certo da primeira vez!

9. A vida não é dividida em semestres. Você não terá sempre os verões livres e é pouco provável que outros empregados o ajudem a cumprir suas tarefas no fim de cada período.

10. Televisão NÃO é vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar o barzinho ou a boate e ir trabalhar.

11. Seja legal com os CDFs (aqueles estudantes que os demais julgam que são uns babacas). Existe uma grande probabilidade de você vir a trabalhar PARA um deles."

 

 


30 de março de 2024

Para fechar com poesia...

As águas de março costumam fechar o verão, mas para lembrar que o mês também é dedicado às mulheres (Dia Internacional da Mulher em 8 de março) e que o elemento água também simboliza sensibilidade, emoção e poder feminino:  tudo isso junto e misturado. Nada mais propício que finalizar março com um poema e dedicado à mulher. 

Bem-vindo, outono! 

E viva, sempre, a mulher!


Poema Dia da Mulher

Um só dia
Um só dia é muito pouco para celebrar a Mulher
Um só poema
Uma rosa
Uma homenagem qualquer
Palavras são muito pouco
Não importa o que eu disser
E mesmo assim
Dizer é o meu dever
É dever da humanidade reconhecer que a mulher
É força
É dignidade
É o que é e o que quer ser
E ela quer ser liberdade
Quer ser mãe
Quer ser artista
Ser sozinha, aventureira
Empresária, agricultora
Ser juíza, sacoleira
Quer ser talvez Bossa Nova
Mas também quer ser Funkeira
Quer ser simples, popular
Quer ser a joia mais cara
Quer ser muitas e ser plural
E ainda assim, quer ser rara
Quer ser livre, corpo e mente
Quer ser e é diferente
E a diferença é clara
A diferença é a força
A garra, a resistência
A coragem, a sabedoria
A pressa e a paciência
É tão claro e evidente
Ser igual e diferente
Faz parte da sua essência


(Bráulio Bessa)

 



29 de fevereiro de 2024

Carioca, por Fernando Sabino

 CARIOCA 

Carioca, como se sabe, é um estado de espírito: o de alguém que, tendo nascido em qualquer parte do Brasil (ou do mundo) mora no Rio de Janeiro e enche de vida as ruas da cidade.

A começar pelos que fazem a melhor parte sua população, a gente do povo: porteiros, garçons, cabineiros, operários, mensageiros, sambistas, favelados. Ou simplesmente os que as notícias de jornal chamam populares: esses que se detêm horas e horas na rua, como se não tivessem mais o que fazer, apreciando um incidente qualquer, um camelô exibindo no chão a sua mercadoria, um propagandista fazendo mágicas. A improvisação é o seu forte, e irresistível a inclinação para fazer o que bem entende, na convicção de que no fim da certo — se não deu é porque não chegou ao fim.

E contrariando todas as leis da ciência e as previsões históricas, acaba dando certo mesmo porque, como afirma ele, Deus é brasileiro — e sendo assim, muito possivelmente carioca.

Pois também sou filho de Deus — ele não se cansa de repetir, reivindicando um direito qualquer. Que pode ser pura e simplesmente o de dar um jeitinho, descobrir um ‘macete’, arranjar lugar para mais um.
Toda relação começa por ser pessoal, e nos melhores termos de camaradagem. Para conseguir alguma coisa em algum lugar conhece sempre alguém que trabalha lá: procure o Juca no primeiro andar, ou o Nonô, no Gabinete, diga que fui eu que mandei. Até os porteiros, serventes ou ascensoristas têm prestigio e servem de acesso aos figurões. Todo mundo é ‘meu chapa’, ‘velhinho’, ‘nossa amizade’. Todos se tratam pelo nome de batismo a partir do primeiro encontro. E se tornam amigos de infância a partir do segundo, com tapas nas costas e abraços efusivos em plena rua, para celebrar este extraordinário acontecimento que é o de se terem encontrado.

A maioria dos encontros é casual, e em geral em plena rua — pois ninguém resiste às ruas do Rio: a gente se vê por ai, quando puder eu apareço. Os compromissos de hora marcada são mera formalidade de boa educação, da boca para fora. Mesmo estabelecido, de pedra e cal, há uma sutileza qualquer na conversa, que escapa aos ouvidos incautos do estrangeiro, indicando se são ou não para valer. Na linguagem do carioca, ‘pois não’ quer dizer ‘sim’, ‘pois sim’ quer dizer ‘não’; ‘com certeza’, ‘certamente’, ‘sem dúvida’ são afirmações categóricas que em geral significam apenas uma possibilidade.

Encontrando-se ou se desencontrando, como se mexem! As ruas do Rio, mesmo em dias comuns, vivem cheias como em festejos contínuos. Todos andam de um lado para outro, a passeio, sem parecer que estejam indo especialmente a lugar nenhum. As esquinas, as portas dos botequins e casas de comércio, os shopping-centers cada vez mais numerosos, todos os lugares, mesmo de simples passagem, são obstruídos por aglomerações de pessoas a conversar em grande animação.

E como conversam! Falam, gesticulam, cutucam-se mutuamente, contam anedotas, riem, calam-se para ver passar uma bela mulher, dirigem-lhe galanteios amáveis, voltam a conversar. Ninguém parece estar ouvindo ninguém, todos falam ao mesmo tempo, numa seqüência de gargalhadas. Em meio à conversa, um se despede em largos gestos e se atira no ônibus que se detém para ele fora do ponto, a caminho da Zona Sul.

Copacabana, Arpoador, Ipanema, Leblon — praias cheias de cariocas, como se todos os dias da semana fossem domingos ou feriados. Espalhados na areia, ou andando no calçadão, se misturam jovens e velhos de calção, mulheres em sumárias roupas de banho, gente bonita ou feia, alta ou baixa, magra ou gorda, na mais surpreendente exibição de naturalidade em relação ao próprio corpo de que é capaz o ser humano.

Do Leblon em diante, convém por hoje não se aventurar: São Conrado, Barra, Jacarepaguá, Floresta da Tijuca — o dia não terá mais fim. Em vez disso, se o visitante, depois de se deslumbrar com a Lagoa Rodrigo de Freitas, dobrar uma esquina do Jardim Botânico, Botafogo ou Flamengo, de repente se verá numa rua sossegada, ladeira acima, com casarões antigos cobertos de azulejos que o atiram aos tempos coloniais. Laranjeiras, Cosme Velho — uma viela tortuosa o conduz a um recôndito Largo do Boticário, de singela beleza arquitetônica, que faz lembrar Florença.

Se o visitante subir esta outra rua, logo se verá cercado de verde por todos os lados, à sombra de frondosas árvores onde cantam passarinhos e esvoaçam borboletas — podendo até mesmo surpreender num galho as macaquices de um sagüi.

E do alto do morro, verá a paisagem abrir-se a seus pés, exibindo lá embaixo a cidade inteira, do Corcovado ao Pão de Açúcar, entre montanhas e o mar. Depois de admirá-la, sentirá vontade de integrar-se a ela, regressar ao bulício das ruas e ao excitante convívio dos cariocas.

A partir deste instante estará correndo sério risco de ficar no Rio para sempre e se tomar carioca também.

🌞

Fernando Sabino (1923-2004) escritor e jornalista. Crônica de “Livro Aberto”, da Editora Record, lançado em 2001.




28 de fevereiro de 2024

Gatos na Literatura

Inspirada no Dia Mundial dos Gatos, celebrado em 17 de fevereiro, pensei em todos os gatos (e são muitos) que habitam no universo da literatura. Entre alguns "famosos" estão: o gato Plutão, do conto "O Gato Preto", de Edgar Allan Poe; "O Gato de Botas", de Charles Perrault; o gato Cheshire, do clássico "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll; o gato Bichento, da personagem Herminione, da Saga "Harry Potter"; Garfield, de Jim Davis entre outros...

Muitos escritores e poetas já se inspiraram em gatos para compor suas obras, como Charles Baudelaire, Pablo Neruda, Jorge Amado, Ferreira Gullar, Mia Couto  -  esses que lembrei, mas há muito mais.

Segundo alguns escritores, os gatos são introspectivos e amigos do silêncio, por isso facilitam o processo de criação por conta de seu olhar profundo e modos discretos. 

Selecionei alguns poemas com o tema para vocês também se inspirarem:

Ode ao gato (Pablo Neruda)

Os animais foram
imperfeitos,
compridos  de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, vôo.
O gato,
só o gato
apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.

O homem quer ser peixe e pássaro
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato
do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.

Não há unidade
como ele,
não tem
a lua nem a flor
tal contextura:
é uma coisa só
como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa
de uma nave.
Os seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para jogara as moedas da noite

Oh pequeno
imperador sem orbe,
conquistador sem pátria
mínimo tigre de salão, nupcial
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na imterpérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
cheirando,
desconfiando
de todo o terrestre,
porque tudo
é imundo
para o imaculado pé do gato.

Oh fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico
e alheio,
profundissimo gato,
polícia secreta
dos quartos,
insignia
de um
desaparecido veludo,
certamente não há
enigma
na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti e pertence
ao habitante menos misterioso,
talvez todos acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios
de gatos, companheiros,
colegas,
díscipulos ou amigos
do seu gato.

Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço o gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalcullável,
a botânica,
o gineceu com os seus extrávios,
o pôr e o mesnos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casaca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
os seus olhos tem números de ouro.

(Navegaciones y Regresos, 1959)

🐱🐾


O gato tranquilo (Cassiano Ricardo)


Ei-lo, quieto, a cismar, como em grave sigilo,

vendo tudo através a cor verde dos olhos,
onça que não cresceu, hoje é um gato tranquilo.
A sua vida é um "manso lago", sem escolhos...

Não ama a lua, nem telhado a velho estilo.
De uma rica almofada entre os suaves refolhos,
prefere ronronar, em gracioso cochilo,
vendo tudo através a cor verde dos olhos.

Poderia ser mau, fosforescente espanto,
pequenino terror dos pássaros; no entanto,
se fez um professor de silêncio e virtude.

Gato que sonha assim, se algum dia o entenderdes,
vereis quanto é feliz uma alma que se ilude,
e olha a vida através a cor de uns olhos verdes.

 🐱🐾                     

 

Gato ao crepúsculo (Millôr Fernandes)

Poeminha de louvor ao pior inimigo do cão

 

Gato manso, branco,

Vadia pela casa,
Sensual, silencioso, sem função.

Gato raro, amarelado,
Feroz se o irritam,
Suficiente na caça à alimentação.

Gato preto, pressago,
Surgindo inesperado
Das esquinas da superstição.

Cai o sol sobre o mar.

E nas sombras de mais uma noite,
Enquanto no céu os aviões
Acendem experimentalmente suas luzes verde-vermelho-verde,
Terminam as diferenças raciais.

Da janela da tarde olho os banhistas tardos
Enquanto, junto ao muro do quintal,
Os gatos todos vão ficando pardos.

 🐱🐾


Poemas para os gatos (Artur da Távola)

 

Silêncio,
eis a tarefa
de todos os gatos.
Poucos sabem perscrutar
(talvez ninguém em plenitude)
o grau de solidão necessária
ao saber auto suficiente
para ser felino e doméstico
em sua tarefa de monge
guardião do inextricável
em quem o homem não percebe
a metafísica natural,
recolhimento
saber
sensualidade
e aceitação.