3 de julho de 2026

Por que ler Machado de Assis?

Eu responda essa pergunta fácil: porque Machado de Assis é considerado um dos maiores escritores da língua portuguesa de todos os tempos, tanto na poesia, como na prosa e na dramaturgia.
Os textos do autor são verdadeiros documentos humanos que retratam a sociedade do final do século XIX e início do século XX. Esses textos, embora escritos no contexto histórico da época continuam ainda com temas atuais.
Ler a obra de Machado também enriquece o nosso vocabulário por se fazer o uso refinado da língua portuguesa. Ele usa de uma linguagem rica e utiliza recursos literários que nos ajudam a ampliar a compreensão textual.
Além da importância histórica e acadêmica de sua literatura, seus textos nos surpreendem, pois trata das questões humanas universais, e isso é atemporal.

A prosa de Machado de Assis costuma-se ser dividida em duas fases: a fase romântica e a fase realista, esta que o consagrou como grande autor. 

As características mais marcantes de sua obras são: o diálogo com o leitor, a descrição psicológica dos personagens, os capítulos curtos e frase breves, as referências a autores e obras literárias, as referências filosóficas, as temáticas que  giram em torno dos conflitos, os eventos cotidianos da vida burguesa em que ele usa para fazer as suas próprias análises sobre o caráter humano.

Quem lê a obra de Machado de Assis consegue dar um passo importante como leitor, pois aprenderá a ler muitos outros autores sem dificuldades e tudo o mais que ele quiser.

Leiam Machado!!



Aforismos na literatura

O conceito de aforismo vem do grego aphorismós que significa definição (breviedade do texto). Sua origem é atribuída ao médico grego Hipócrates cerca de 400 a.C. Ele usava esses termos para definir sentenças breves sobre medicina. Hipócrates também é considerado por muitos "o pai da medicina". Seu aforismo mais popular é "a vida é curta e a arte é longa".

Aforismo é um texto curto que pode expressar pensamentos, valores, preceitos, observações, que parecem resumir verdades, como uma sabedoria perfeita. 

Esse estilo é muito presente na filosofia e também na literatura, por conter importantes conceitos e até sentimentos.

Para exemplificar, uma seleção de alguns aforismos de três grandes escritores da nossa literatura.


1. Carlos Drummond de Andrade, em "O Avesso das Coisas"

Sou apenas o sorriso na face de um homem calado.

O Brasil é um país novo que se imagina velho, e um país velho que se supõe novo.

Cultivamos nossas dúvidas como rosas do jardim que não possuímos.

É preferível variar de erros a insistir no erro.

Para as estrelas, nós é que estamos atrasados milhões de anos-luz.

Uma geração literária procura devorar a anterior antes que a próxima a devore.

2. Guimarães Rosa, em "Grande Sertão Veredas"

Sertão: é dentro da gente.

Deus existe mesmo quando não há.

Viver é muito perigoso.

O que a vida quer da gente é coragem.

Eu quase que nada sei. Mas desconfio de muita coisa.

Rir, antes da hora, engasga.

Obedecer é mais fácil do que entender.

A colheita é comum, mas capinar é sozinho.


3. Machado de Assis

Ao vencedor às batatas. (Quincas Borba)

Há coisas que não se ajustam nem combinam. (Dom Casmurro)

Verdade é que, se todos os gostos fossem iguais, o que seria do amarelo? (O Alienista)

O olho do homem serve de fotografia ao invisível, como o ouvido serve de eco ao silêncio. (Esaú e Jacó)

Matamos o tempo: o tempo nos enterra. (Memórias Póstumas de Brás Cubas)

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