9 de agosto de 2023

Literatura de Cordel

Em 1º de agosto foi celebrado o Dia do Poeta de Literatura de Cordel. Você conhecia essa data?

O que é um cordel?

Cordel é uma escrita de forma rimada, que parte de relatos orais e são impressas em folhetos que são expostos em cordéis.


Esse gênero se popularizou no nordeste do país e ganhou força a partir do século XIX - devido a sua simplicidade de se expressar com o povo através da linguagem divertida e descontraída.

Os versos do cordel geralmente são bem-humorados e podem narrar acontecimentos históricos, a realidade social da região ou do país, a política e os temas religiosos.
Outra característica da literatura de cordel são as gravuras em madeira ou xilogravuras que ilustram e dão as imagens e as cores aos poemas.

A xilogravura é uma técnica antiga chinesa: o artesão grava um desenho na madeira, depois passa um rolinho com tinta sobre a madeira entalhada e essa parte da madeira é colocada no papel (como um carimbo).



O poeta da roça - Patativa do Assaré

Sou fio das mata, cantô da mão grosa
Trabaio na roça, de inverno e de estio
A minha chupana é tapada de barro
Só fumo cigarro de paia de mio

Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestrê, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola
Cantando, pachola, à percura de amô

Não tenho sabença, pois nunca estudei
Apenas eu seio o meu nome assiná
Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre
E o fio do pobre não pode estudá

Meu verso rastero, singelo e sem graça
Não entra na praça, no rico salão
Meu verso só entra no campo da roça e dos eito
E às vezes, recordando feliz mocidade
Canto uma sodade que mora em meu peito

 

*O poema em questão retrata o trabalhador da roça, o homem simples do campo. O autor, Antônio Gonçalves da Silva, ficou conhecido por Patativa do Assaré, nasceu no sertão do Ceará em 1909 e faleceu em 2002.

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Ser nordestino - Bráulio Bessa

Sou o gibão do vaqueiro, sou cuscuz sou rapadura
Sou vida difícil e dura
Sou nordeste brasileiro
Sou cantador violeiro, sou alegria ao chover
Sou doutor sem saber ler, sou rico sem ser granfino
Quanto mais sou nordestino, mais tenho orgulho de ser
Da minha cabeça chata, do meu sotaque arrastado
Do nosso solo rachado, dessa gente maltratada
Quase sempre injustiçada, acostumada a sofrer
Mais mesmo nesse padecer eu sou feliz desde menino
Quanto mais sou nordestino, mais orgulho tenho de ser

Terra de cultura viva, Chico Anísio, Gonzagão de Renato Aragão
Ariano e Patativa. Gente boa, criativa
Isso só me dá prazer e hoje mais uma vez eu quero dizer
Muito obrigado ao destino, quanto mais sou nordestino
Mais tenho orgulho de ser.

 

*O poeta cearense Bráulio Bessa, nascido em 1985, popularizou-se usando vídeos na internet, assim conseguiu chegar a milhares de pessoas e ajudou a difundir a arte da literatura de cordel.  

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